“Eu sou uma mulher de rua. Eu ando quase nua porque eu sou uma mulher crua” será lançado em São Luís

As artistas e pesquisadoras Ana Regina Arcanjo e Lygia Peçanha lançam, em São Luís (MA), o livro Eu sou uma mulher de rua. Eu ando quase nua porque eu sou uma mulher crua, publicação que reúne memória, oralidade, cultura popular, espiritualidade e experiências vividas no Centro Histórico da cidade.

Criado a partir de uma entrevista realizada entre as duas autoras, o livro percorre histórias ligadas ao Tambor de Crioula, às encantarias, à culinária e às formas de existência de pessoas que vivem e trabalham nas ruas de São Luís.

A obra transforma a conversa em uma experiência narrativa atravessada pelos modos de vida do cotidiano maranhense, revelando saberes, afetos e práticas que frequentemente permanecem à margem das narrativas oficiais sobre patrimônio e espaço urbano.

A publicação surgiu inicialmente como parte da coletânea Amor Público (2023), organizada pelo coletivo #Joyces, que reúne diferentes perspectivas sobre amor, sexualidade e afeto no espaço público, na política e na sociedade. Entre os textos que compõem a coletânea, a entrevista com Regina Arcanjo foi escolhida para ganhar uma edição própria e tradução para o espanhol. A iniciativa nasce do desejo de fortalecer conexões entre territórios latino-americanos e aproximar experiências ligadas às matas, aos encantados e às formas coletivas de resistência, cuidado e transmissão de conhecimento.

Ana Regina Braga Arcanjo é uma importante referência da cultura popular maranhense, reconhecida por sua atuação no Tambor de Crioula, por sua pesquisa sobre os saberes ancestrais e por seu trabalho como guia de turismo. Em diálogo com Lygia Peçanha, artista, pesquisadora e integrante do coletivo #Joyces, a publicação constrói uma narrativa marcada pelo encontro entre memória, escuta e experiência compartilhada, reunindo histórias, reflexões e saberes que atravessam a cultura popular maranhense.

A edição bilíngue (português-espanhol) foi realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), através do Edital Geral para Fomento de Iniciativas Artístico-Culturais da Prefeitura de São Luís. Além da publicação impressa, o projeto conta com uma composição musical inédita da artista Camila Reis, criada especialmente para o livro, bem como uma versão em audiolivro e uma paisagem sonora desenvolvidas em parceria com a artista Paola Ribeiro.

O pré-lançamento acontece durante a Promessa do Tambor Sete Saias de São Benedito, no dia 26 de junho de 2026, das 16h às 18h, no Coreto da Praia Grande, localizado na Avenida Beira-Mar, Centro Histórico de São Luís.

O lançamento oficial será realizado no dia 2 de julho de 2026, das 17h às 20h, no Espaço Cultural Humberto de Maracanã, localizado no Complexo Trapiche Santo Ângelo, na Avenida Senador Vitorino Freire, Praia Grande, Centro Histórico de São Luís. A programação contará com uma roda de conversa entre as autoras Ana Regina Arcanjo e Lygia Peçanha, com participação da artista Camila Reis. A mediação será realizada por Júlia Martins. O encontro abordará os processos de criação do livro, bem como os caminhos percorridos pela obra desde sua primeira publicação na coletânea Amor Público. Encerrando a programação, haverá uma apresentação do Tambor Sete Saias de São Benedito, celebrando os vínculos entre os saberes compartilhados no livro e as tradições culturais maranhenses.

Acompanhe a programação e atualizações no Instagram do coletivo #Joyces e do Tambor Sete Saias de São Benedito:
@umaquestaodejoyces e @tc07saiasdesaobenedito

A prévia do livro está disponível para consulta no link abaixo:
https://drive.google.com/file/d/15i6ogEQgidZybKFZuD7eKxlFWt82VrXw/view?usp=sharing

Sobre as autoras

Ana Regina Braga Arcanjo

Ana Regina Arcanjo (1972, Codó–MA) é artista da cultura popular, artesã, educadora, gestora em turismo e pesquisadora em comunidades tradicionais. Desenvolve sua prática a partir da valorização dos saberes afro-indígenas no Maranhão, atuando em oficinas, roteiros turísticos e residências nas áreas do corpo, dança e teatro.

É coreira-mestra do Tambor de Crioula Sete Saias de São Benedito desde 2016. Atua também como artesã na produção de pimenta e cachaça com a marca Pimenta Régia. Integra espetáculos e projetos em artes cênicas, além de pesquisas e publicações voltadas à cultura popular e às tradições maranhenses.
Instagram: @anareginaarcanjo

Lygia Peçanha

Lygia Peçanha (1992, Zona da Mata Mineira–MG) é artista, educadora e produtora cultural. Reside em São Luís (MA) e desenvolve projetos interdisciplinares entre arte, educação e humanidades, com foco em processos colaborativos de criação.
Integra o coletivo #Joyces, com o qual desenvolve projetos no Brasil e na América Latina. Atua em ações formativas, educativas e projetos culturais em instituições e espaços independentes. É graduada em Artes Visuais pela UFMG e mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA.
Instagram: @lygiacarpe

Camila Reis

Camila Reis é artista maranhense com atuação na cultura popular, música, literatura e oralidade. Sua trajetória é marcada pelo diálogo com tradições como Tambor de Crioula, cacuriá e capoeira, a partir de sua vivência no grupo LABORARTE.
É autora de livros infantojuvenis e possui trajetória musical com EPs e singles autorais. Atua também em audiovisual, contação de histórias, performances e ações formativas, articulando arte, educação e cultura popular em sua produção.
Instagram: @camilareismaranhao

Coletivo #joyces

O coletivo #Joyces atua desde 2017 em projetos colaborativos nas interseções entre arte, design e intervenções públicas. Suas práticas são baseadas no princípio do “fazer com”, envolvendo o público como coautor dos processos artísticos.
Desenvolve projetos no Brasil e na América Latina, articulando arte, educação e território. Entre suas ações estão Amor Público (2023–2024), Como si Fuera Amor (2024), Toada–Retomada (2022) e Trança–Palavra (2022), além da participação em programas de formação e residências internacionais.
Instagram: @umaquestaodejoyces

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